HOSPITAL DA MULHER: Promessa de campanha ainda não cumprida
No canteiro de obras, para o tamanho da edificação e os prazos anunciados, há um grupo pequeno de trabalhadores
O Hospital da Mulher, promessa da primeira campanha da prefeita Luizianne Lins, em 2004, caminha a passos lentos e ainda está longe da conclusão. A entrega do primeiro módulo estava marcada para dezembro, como a própria prefeita anunciou durante a última campanha eleitoral. Depois o prazo era abril, foi para maio e agora a previsão da coordenação do projeto é para agosto, se cessar o período chuvoso.
São inúmeras as justificativas para o atraso, mas a parte de gestão da unidade hospitalar, que não depende de concreto, cimento e condições climáticas, também ainda está sendo pensada. Não há sequer a definição de como serão contratados os servidores para o atendimento no primeiro módulo, que abrigará o ambulatório e o centro de imagens. Nos 22% da obra já concluídos foram gastos 12,4 milhões. A previsão de entrega de todo o Hospital pulou um ano e é agora para dezembro de 2010. Mais R$ 42 milhões ainda serão gastos, pela previsão.
Se aproximando o prazo dado pela administração no começo do ano para a conclusão da primeira parte das obras, o Diário do Nordeste visitou, na tarde da última quarta-feira, o canteiro de obras do Hospital da Mulher, no bairro Henrique Jorge. Naquele momento, não mais do que 50 operários trabalhavam. Não havia engenheiro responsável, por isso uma servidora da área de fiscalização conduziu a equipe de reportagem ao local. A reportagem não escutou, da servidora Perciliana (ela não forneceu o nome completo), mais do que ´converse com a coordenadora Lurdes Goes, que é a porta-voz da obra´. Esta era a resposta para a maioria das perguntas.
Consultórios
O módulo 1, este mesmo cuja entrega sofreu três adiamentos, está avançado. O local dos consultórios, o setor de administração e os ambulatórios já estão com a alvenaria e o piso prontos, e a estrutura de condicionadores de ar está sendo montada. Na entrada do ambulatório ainda há uma máquina fazendo terraplanagem para a colocação do piso e as instalações elétricas estão sendo montadas também.
Para que o hospital comece a operar, no entanto, será preciso a urbanização do local (uma grande área não é construída), que contará com um bosque na frente e uma infra-estrutura de pavimentação e estacionamentos nas laterais, conforme informou a coordenadora do projeto, enfermeira Lurdes Goes. Ela recebeu a equipe do Diário do Nordeste no escritório do projeto do Hospital da Mulher, na Aldeota, visto que não havia sequer um engenheiro ou servidor responsável no terreno em que a obra está sendo erguida.
Com relação à urbanização interna, nada disso começou e não há sequer uma estrutura do muro frontal que será a entrada do Hospital. A cobertura ainda não está pronta e o que mais chamou a atenção: um dos quatro módulos da obra é uma central de maquinário, que fará o Hospital funcionar. Ela ainda está igualmente longe da conclusão, portanto, será difícil fazer o hospital operar sem essa parte.
Números
A informação oficial, da coordenadora, é de que 140 operários estão trabalhando no local. Quando informada de que a reportagem tinha encontrado apenas um aproximado de 50 operários, ela explicou: ´é porque eles ficam diluídos, trabalham em locais diferentes. Alguns são operadores de máquinas, carpinteiros. E eles trabalham em dois expedientes. Tem pessoal de segurança, apoio e escritório´.
Paralelo às obras da unidade hospitalar, a gestão e organização do Hospital da Mulher também ainda não têm definição. Segundo a coordenadora, para o primeiro bloco, os servidores não serão contratados por concurso público. ´Para esse primeiro bloco não faremos concursos. Estamos avaliando porque são poucos profissionais de cada área. São 111 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Ele vai começar a funcionar ancorado na própria Secretaria de Saúde do Município. Duas possibilidades: remover pessoas de outros hospitais ou contratar de alguma outra forma que ainda estamos estudando´, explicou.
Profissionais que a coordenadora diz serem suficientes para atender 556 pacientes diariamente e um total de 9.816 mulheres mensalmente.
Orçamento
O Hospital da Mulher, com 22% da obra concluída até agora, consumiu um total de R$ 12.404.508,00 dos cofres públicos. R$ 3,7 milhões dos quais, oriundos do Governo Federal e mais R$ 8,7 milhões em recursos da administração municipal, segundo a coordenação do projeto. A previsão do gasto total é de R$ 66 milhões. Para o aparelhamento da unidade serão mais R$ 20 milhões da Prefeitura e Governo com a ajuda dos parlamentares através das emendas ao Orçamento Geral da União.
´Nós temos uma política permanente de captação de recursos. No orçamento de 2009 do Governo Federal tem mais R$ 29 milhões. Tem R$ 500 mil de emenda individual do senador Inácio Arruda para a compra de equipamentos. Nós estamos aguardando que o Ministério da Saúde libere os recursos. Já temos R$ 7 milhões para serem liberados, com convênio assinado e tudo pronto´.
Atraso
A reportagem questionou a coordenadora Lurdes Goes sobre a justificativa para o atraso da obra. Ela explicou que a empresa responsável, Planova, que tem sede em São Paulo, está cumprindo o cronograma que apresentou para a Prefeitura, após o processo licitatório. ´Os problemas que têm é com relação a questões técnicas que nós tivemos desde o início da obra´, destacou.
Teria que haver uma mudança na planta do projeto porque as condições do solo não suportariam a estrutura. ´Quando começamos a construir nós constatamos a irregularidade do solo que não foi possível detectar antes porque para a licitação, o estudo é feito por amostragem e lá são diversos terrenos, por isso foi impossível de detectar o problema´, detalhou a coordenadora.
Fonte: Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=635492



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