O governador Cid Gomes (PSB) tirou licença até o dia 5 de outubro, para se dedicar a campanha eleitoral de seus aliados. Obviamente, a idéia é mostrar transparência e evitar problemas legais. A coligação de Patrícia Saboya (PDT), por exemplo, questiona a utilização de imagens de Cid na propaganda de Luizianne Lins (PT), quando ele fez uma visita “oficial” ao terreno onde deverá ser construido o Hospital da Mulher, acompanhado da equipe de filmagem da candidata.
No entanto, algumas considerações importantes não foram respondidas ainda. Qualquer funcionário público - e essa é a condição de um governante - pode pedir licença para fazer campanha? Cid justificou formalmente seu afastamento alegando interesse particular. Isso também vale para o restante do funcionalismo? E para ser mais preciso: isso é ético?
Essas indagações, entretanto, orbitam em torno de uma outra: essa licença é remunerada? Pela lógica, ao deixar suas funções espontaneamente para trabalhar como cabo eleitoral, é lítico e natural imaginar que o contribuinte não deva arcar com essa despesa. Para a imprensa, Cid respondeu, surpreendentemente, que não sabe se terá o salário do mês diminuído. Falou com despreocupação de fazer inveja a qualquer trabalhador. Lembrando o episódio da polêmica viagem de Cid ao exterior no começo do ano, com direito a hospedagem da comitiva em hotéis de luxo, devidamente pagas com dinheiro público, começo a imaginar que se o governador não acredita que é credor do povo cearense.
por: Wanderley Filho
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