Debate entre pré-candidatos traz à tona discussão acerca das tarefas do PSOL para o próximo período
Entre cores e símbolos, militantes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), integrantes de movimentos sociais e apoiadores lotaram a sede do partido, em Fortaleza, na última sexta-feira, 05, para participar do debate entre os três pré-candidatos a presidente da República pelo PSOL. Saudando os convidados, o presidente da sigla no Ceará, Moésio Mota, destacou a importância dos debates que estão ocorrendo em diversas cidades para a democracia interna do partido: “O PSOL mostra que é um partido vivo e que quer debater com os militantes e com a sociedade o projeto político que deve defender”, afirmou. No centro das discussões, estavam a localização política do partido, suas tarefas para o próximo período e seus aliados prioritários.
Sorteado para iniciar a discussão, o pré-candidato Martiniano Cavalcante traçou uma análise da conjuntura política dos anos recentes e seus impactos para a esquerda socialista, como a derrocada da União Soviética e a falência do PT como partido de esquerda, no Brasil. Martiniano avaliou que “a correlação de forças é amplamente desfavorável”, o que o leva a concluir que o PSOL deve fazer uma campanha para as massas, buscando aliados diversos para não “cair no gueto”. O pré-candidato apresentou, ainda, quatro pontos do programa que defenderá, caso seja indicado como candidato nas prévias do partido, dentre os quais figura o combate à corrupção.
Segundo candidato a apresentar-se, Babá centrou sua intervenção na crítica à proposta de aliança do PSOL com a senadora Marina Silva (PV). “Estarmos debatendo aqui já é uma vitória, pois nós vencemos aqueles que não queriam que o PSOL tivesse candidatura própria para expressar sua política”, afirmou. Discordando de seu antecessor, Babá defendeu a retomada da Frente de Esquerda, que uniu PSOL, PSTU e PCB, durante as eleições de 2006, para fortalecer a esquerda no Brasil. O pré-candidato destacou a importância da defesa do financiamento público das campanhas eleitorais e a independência de classe no que tange ao financiamento das campanhas do partido. Com isso, teceu ferrenha crítica ao recebimento de recursos de empresas privadas, por parte do PSOL-RS, durante a campanha ao governo do Rio Grande do Sul, em 2008.
Aguardado pelas dezenas de apoiadores que marcaram presença no plenário, Plínio Arruda Sampaio iniciou sua fala destacando a necessidade do partido se diferenciar dos demais no processo eleitoral e oferecer uma alternativa àqueles e àquelas que ainda acreditam na possibilidade de uma construção de uma outra sociedade. “Se o PSOL não tiver um programa anticapitalista com um perfil socialista claro, não se diferenciará muito do lado de lá”, afirmou, referindo-se a Dilma (PT) e Serra (PSDB), bem como a Marina Silva (PV) e Ciro Gomes (PSB). O pré-candidato avalia que essa diferenciação deve ser pautada na defesa do socialismo, o que “deve ser feito com inteligência, debatendo que as soluções efetivas para os problemas do povo estão descartadas pelo capitalismo”. Pretendo, portanto, discutir os problemas concretos que atingem a população, sem “ficar preso à discussão tecnicista”, com a finalidade de deixar uma “marca” e, sobretudo, um convite à luta.
Plínio Arruda diferenciou-se pela defesa enfática do programa partidário, que, para ele, deve ser construído coletivamente. “Defenderei o programa votado pelo partido”, ressaltou, apontando os quinze pontos aprovados pelo diretório nacional, em dezembro passado, como pontos de partida para a formulação do programa. O pré-candidato defendeu também o respeito entre os pré-candidatos e a unidade do partido. O debate contou com uma dezena de intervenções da militância. As falas questionaram, sobretudo, o financiamento das campanhas do PSOL e destacaram a necessidade do partido se firmar como um projeto político de esquerda, que agregue os lutadores e as lutadoras do país e que desempenhe a tarefa de reconstrução de um bloco socialista. Apontaram, ainda, a importância da questão ambiental e a necessidade do PSOL apresentar um programa ambientalista e socialista nas próximas eleições.



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